quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Pesquisa analisa efeitos de viagem simulada a Marte

Cientistas concluíram que missão espacial prolongada pode afetar os padrões de sono da tripulação.


Para medir o impacto do confinamento prolongado sobre os padrões de sono, desempenho e humor dos astronautas, a equipe de pesquisadores da universidade mediu a atividade de uma tripulação durante uma missão simulada de 520 dias até Marte, a 'Mars 500', experimento realizado pela Academia Russa de Ciência em parceria com a Agência Espacial Europeia. "O sucesso dos voos espaciais interplanetários, que devem acontecer ainda neste século, vai depender da capacidade dos astronautas de permanecer confinados e isolados da Terra por muito mais tempo que as missões anteriores", disse David Dinges, professor da Divisão de Sono e Cronobiologia da Universidade da Pensilvânia, e um dos autores da pesquisa publicada nesta segunda-feira na revista PNAS.
O projeto 'Mars 500' isolou uma equipe de seis homens, voluntários, com treinamento em missões espaciais, engenharia, medicina e fisiologia em uma cápsula construída em Moscou que simulava o ambiente de uma nave espacial, onde tiveram de realizar atividades típicas dos astronautas. A missão foi dividida em três fases: 250 dias para chegar até Marte, 30 em uma superfície que simulava a do planeta e 240 para voltar à Terra. A missão teve início no dia 3 de junho de 2010, quando as escotilhas foram fechadas, e a equipe foi isolada do resto do planeta.



Simulação marciana — Durante a missão, a equipe realizou mais de 90 experimentos, permaneceu em contato permanente com o "controle" da missão na Terra — simulado pelos pesquisadores — e teve horários controlados de trabalho. Enquanto a experiência transcorria, os pesquisadores mediram os ciclos de sono, intensidade de movimento, exposição à luz, fadiga, estresse e mudanças de humor da tripulação. Eles também realizaram, uma vez por semana, uma avaliação neurológica de cada um dos astronautas, por meio de testes realizados em computador.
Como resultado, descobriram que desde as primeiras semanas a equipe se tornou mais sedentária, diminuindo o volume total de movimento no decorrer da missão. Conforme o tempo passava, os astronautas gastavam mais tempo dormindo ou descansando, se expondo cada vez menos à luz artificial da espaçonave. Eles também passaram a apresentar uma série de distúrbios referentes à qualidade de sono e performance. Isso, em uma pequena tripulação isolada a milhões de quilômetros do resto da humanidade, poderia trazer sérios problemas para o desenrolar da missão.
Segundo os pesquisadores, o resultado sugere que as agências espaciais devem balancear os níveis de atividade e a quantidade de sono da tripulação, ao mesmo tempo em que criam mecanismos para manter os ciclos biológicos de 24 horas da Terra. Para isso, os ambientes da espaçonave devem simular os sinais geofísicos do planeta, como a exposição à luz solar, e ter períodos marcados para o exercício físico e o consumo de comida, necessários para a organização temporal e manutenção do comportamento humano. "Além disso, o experimento mostra a necessidade de identificar marcadores para a vulnerabilidade à diminuição no movimento muscular e às mudanças no sono durante o isolamento prolongado das missões espaciais", disse Mathias Basner, pesquisador da Universidade da Pensilvânia, e um dos autores do estudo.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Assista Arthur C. Clarke prevendo a internet e PCs em 1974 [vídeo]

Além de ser um dos maiores escritores de ficção científica de todos os tempos, Arthur C. Clarke tinha o dom de prever o futuro, pelo menos em termos de tecnologia. Nesse vídeo de 1974, ele prevê os computadores pessoais e a internet.



O vídeo de um minuto e meio é da rede ABC, da Austrália. Clarke previa que até 2001 todas as casas teriam acesso a um computador compacto, e que todos estariam conectados a partir de uma rede que permite que os usuários façam operações bancárias a distância, como a compra de ingressos para um show, por exemplo, acessar todas as informações que precisar e inclusive trabalhar à distância. Clarke estava otimista com as novas tecnologias, que poderiam enriquecer a humanidade, ao invés de isolar as pessoas. 


O ruído dos computadores do local da entrevista atrapalha a geração automática das legendas, mas se você não entende inglês ligar o botão “cc” e ativar a tradução automática é melhor do que nada


Fonte: HypeScience

domingo, 6 de janeiro de 2013

Jovem de 15 anos assina estudo publicado na 'Nature'

Pesquisa aponta a rotação sincronizada de um disco de galáxias ao redor de Andrômeda.


O estudante francês Neil Ibata, de 15 anos, é um dos destaques da última edição da revista Nature, uma das mais conceituadas publicações científicas do mundo. Ele aparece como um dos 16 coautores, entre físicos e astrônomos, de uma pesquisa sobre evolução de galáxias. O autor principal do trabalho é o pai dele, Rodrigo Ibata, pesquisador do Observatório Astronômico de Estrasburgo.
O trabalho aponta que metade das galáxias-satélites que estão “no entorno” (distâncias que variam de 100 a 1.300 anos-luz) de Andrômeda estão alinhadas em um mesmo plano orbital e giram sincronizadas em torno de seus próprios eixos. A descoberta mostra que as estruturas fazem parte de um conjunto e estão conectadas de algum modo, o que contraria as teorias atuais sobre formação de galáxias.
Andrômeda está a 2,5 milhões de anos-luz da Terra e é a galáxia gigante mais próxima da Via Láctea - a nossa -, o que permite estudá-la em detalhes.
 
O pai trouxe o filho ao local onde trabalha para que ele fizesse um estágio sobre a linguagem de programação Python, utilizada para este estudo sobre a evolução das galáxias ao redor de Andrômeda.
 
De acordo com o Centro Nacional de Pesquisa Científica, da França, Neil foi o primeiro a colocar em evidência a rotação de um disco de galáxias anãs ao redor da galáxia de Andrômeda no âmbito desse projeto. "Eu estava esperando o oposto", afirmou Rodrigo Ibata.
 
Segundo a reportagem do francês Le Figaro, o jovem Neil foi o primeiro a detectar que as galáxias rodavam com velocidades sincronizadas, após rodar os dados coletados pelo pai em um programa de computador que ele mesmo desenvolveu.

(Com AFP e Estadão Conteúdo)

Pesquisadores encontram meteorito marciano rico em água

Segundo os cientistas, a rocha teria se formado na crosta do planeta e interagindo com a água em sua superfície.


Em 2011, o colecionador Jay Piatek comprou um pedaço escuro de rocha das mãos de Aziz Habibi, um negociador marroquino de meteoritos. A pedra de 319,8 gramas foi doada, em seguida, para o Museu de Meteoritos da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, onde recebeu o nome de NWA 7034. Análises de sua composição química feitas pelos pesquisadores da Universidade mostraram que se tratava de uma amostra única: teria vindo da crosta de Marte e seria diferente de todas as outras rochas marcianas já encontradas na superfície da Terra. Segundo os cientistas, a rocha possui até dez vezes mais água em sua composição que os outros meteoritos vindos de Marte — o que ainda assim significa uma quantidade ínfima de água. A pesquisa que analisa a rocha foi publicada nesta quinta-feira na revista Science.

Os pesquisadores compararam a composição química do NWA 7034 com a de um grupo de meteoritos conhecidos como SNC (para tanto, os cientistas aquecem o meteorito a altas temperaturas e medem a quantidade de água liberada). As 110 rochas desse grupo representam a grande maioria dos meteoritos marcianos já analisados por cientistas, e seu estudo ajudou a formar o conhecimento que se tem da geologia do planeta. A textura do NWA 7034, no entanto, era diferente de todos os SNC. "Ele é feito de fragmentos cimentados de basalto, uma rocha que se forma a partir de lava esfriada rapidamente, rico em minerais de feldspato e piroxênio. Essa composição é comum em amostras da Lua, mas não em outros meteoritos marcianos", diz Andrew Steele, pesquisador do Laboratório de Geofísica do Instituto Carnegie de Ciência, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo.
Com os dados obtidos pelas sondas enviadas a Marte, os pesquisadores descobriram que a composição dos meteoritos SNC não se parecia com a de nenhum local conhecido da superfície do planeta. Já a composição do NWA 7034 permitiu que sua origem fosse traçada. "A rocha basáltica presente nesse meteorito é semelhante à encontrada na crosta ou no manto superior de Marte. Sua química é consistente com uma origem na superfície do planeta e uma interação posterior com a sua atmosfera", diz Carl Agee, pesquisador da Universidade do Novo México e coordenador da pesquisa. Segundo o pesquisador disse ao site de VEJA, a composição da água encontrada no meteorito é extraterrestre, significando que a rocha interagiu com a água ainda em Marte.
 Para os pesquisadores, a rocha teria se formado há cerca de 2,1 bilhões de anos, no início da época geológica mais recente de Marte, conhecida como período amazoniano. As formações desse período são as mais recentes do planeta e têm menos crateras ao longo de sua superfície. Seu nome vem da Amazonis Planitia, uma das planícies mais recentes de Marte. A descoberta deve desafiar algumas noções antigas sobre a geologia do planeta e ajudar os astrônomos a conhecer um pouco mais sobre a formação de sua superfície. "O mais excitante é o fato de o grande conteúdo de água significar que a rocha interagiu com a água na superfície do planeta. Esse é o meteorito marciano quimicamente mais rico já encontrado, e novas análises devem trazer ainda mais surpresas", diz Steele

Fonte: Veja

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

As correntes de gás que formam planetas

Uma equipe internacional de astrônomos estudou a jovem estrela HD 142527, situada a mais de 450 anos-luz de distância, a qual se encontra rodeada por um disco de gás e poeira cósmica, os restos da nuvem a partir da qual a estrela se formou.


© ESO (ilustração do disco e gás ao redor de estrela)
O disco poeirento encontra-se dividido numa parte interior e noutra exterior, divisão esta feita por um espaço, que se pensa ter sido esculpido por planetas gigantes gasosos recentemente formados que limpam as suas órbitas à medida que rodam em torno da estrela. O disco interior tem uma dimensão que vai desde a estrela até à distância equivalente à órbita de Saturno no nosso Sistema Solar, enquanto que o disco exterior começa só 14 vezes mais longe. Este último disco não circunda a estrela de forma uniforme; tem antes a forma de uma ferradura, provavelmente causada pelo efeito gravitacional dos planetas gigantes em órbita da estrela.
De acordo com a teoria, os planetas gigantes crescem à medida que capturam gás do disco exterior, em correntes que formam pontes que atravessam o espaço entre os discos.
“Os astrônomos têm vindo a prever a existência destas correntes, no entanto esta é a primeira vez que fomos capazes de as ver diretamente,” diz Simon Casassus (Universidad de Chile, Chile), que liderou o novo estudo. “Graças ao novo telescópio ALMA, pudemos obter observações diretas que comprovam as teorias atuais de formação de planetas!”
Casassus e a sua equipe usaram o ALMA para observar o gás e a poeira cósmica em torno da estrela, o que lhes permitiu ver com muito mais pormenor e muito mais perto da estrela, do que tinha sido possível até agora com telescópios do mesmo tipo. As observações ALMA, nos comprimentos de onda submilimétricos, são também imunes à radiação da estrela, que afeta os telescópios que trabalham no visível ou no infravermelho. O espaço no disco era já conhecido, mas a equipe descobriu também gás difuso que permanece neste espaço e duas correntes mais densas de gás que fluem do disco exterior, passando pelo espaço vazio, até ao disco interior.
“Pensamos que existe um planeta gigante escondido no interior do disco e que dá origem a estas correntes. Os planetas crescem ao capturar algum do gás do disco exterior: os restos de gás fluem para o disco interior, que se situa em torno da estrela” diz Sebastián Pérez, um membro da equipe, também da Universidade do Chile.
As observações respondem a outra questão sobre o disco em torno da HD 142527. Como a estrela central ainda está se formando, capturando material do disco interior, este disco deveria ter sido já todo devorado pela estrela, se não fosse de algum modo realimentado. A equipe descobriu que a taxa à qual os restos de gás fluem para o disco interior é precisamente a necessária para manter este disco com matéria suficiente para alimentar a estrela em crescimento.
Outra descoberta pioneira é a deteção do gás difuso no espaço entre discos. “Os astrônomos procuraram este gás durante muito tempo, mas até agora só tinham tido evidências indiretas da sua existência. Agora, com o ALMA, pudemos vê-lo diretamente,” explica Gerrit van der Plas, outro membro da equipe, da Universidade do Chile.


© ESO (disco e fluxo de gás visto pelo ALMA)
Este gás residual é uma evidência adicional de que as correntes são causadas por planetas gigantes, em vez de outros objetos ainda maiores como, por exemplo, uma estrela companheira. “Uma segunda estrela teria limpo muito melhor o espaço entre os discos, não deixando nenhum gás residual. Ao estudar a quantidade de gás que ainda resta, talvez possamos estimar as massas dos objetos que estão efetuando a limpeza.” acrescenta Pérez.
Então, e os planetas propriamente ditos? Casassus explica que não está surpreendido por não os ter conseguido detectar de forma direta. “Procuramos estes planetas com instrumentos infravermelhos de vanguarda instalados noutros telescópios. No entanto, pensamos que os planetas em formação ainda estão muito envolvidos pelas correntes de gás, que são praticamente opacas. É capaz de ser, por isso, extremamente difícil descobrir estes planetas de forma direta.”
Apesar disso, os astrònomos pretendem descobrir mais sobre estes planetas ao estudar as correntes de gás e o gás difuso. O telescópio ALMA ainda está em fase de construção, e por isso mesmo não atingiu ainda todas as suas capacidades. Quando estiver completo, a sua visão será ainda mais nítida e novas observações das correntes poderão permitir determinar as propriedades dos planetas, incluindo as suas massas.
O resultado da pesquisa foi publicado na revista Nature.

Fonte: ESO